Educação
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A pobreza multidimensional amplia esse olhar ao considerar diferentes privações que podem ocorrer simultaneamente. Identificar necessidades que vão além da renda permite compreender melhor quem vive em situação de pobreza, quais privações enfrenta e como elas se combinam. Com isso, é possível identificar os problemas que demandam maior atenção das políticas públicas.
Uma família pode estar acima da linha de pobreza monetária e, ainda assim, enfrentar privações importantes, como falta de acesso adequado à saúde, à educação, à moradia, ao saneamento e à energia. Dessa forma, famílias com renda semelhante podem vivenciar realidades diferentes, dependendo das privações que enfrentam.
É a partir das privações que se compreende a pobreza multidimensional.
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A ferramenta
Dezenas de países já perceberam que as políticas públicas relacionadas à pobreza precisam considerar as pessoas que enfrentam sobreposição de privações simultaneamente. Por isso, adotaram Índices de Pobreza Multidimensionais nacionais para orientar e mensurar suas políticas públicas.
O Tribunal de Contas da União (TCU), com o apoio da OPHI (Iniciativa Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford), desenvolveu o Índice Multidimensional de Pobreza para Auditoria (IMP-A), uma ferramenta criada para apoiar auditorias com evidências mais amplas sobre as condições de vida da população.
O IMP-A analisa a pobreza a partir de cinco dimensões: educação, saúde, condições de habitação, vulnerabilidades e trabalho.
O Índice mensura a pobreza multidimensional com base na proporção de pessoas consideradas pobres sob essas diferentes dimensões e na quantidade média de privações enfrentadas por essas pessoas.
O IMP-A usa como base o CadÚnico, cadastro do Governo Federal que reúne informações de quase 100 milhões de brasileiros de baixa renda que solicitaram ou recebem algum benefício federal.
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Clique em qualquer privação para ler a condição
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Educação
Um indivíduo é considerado com privação se reside em um domicílio no qual algum morador maior de dezoito anos não sabe ler e escrever.
Ver tabela completa03
A partir de dados do CadÚnico e de informações orçamentárias de sistemas oficiais de gestão e planejamento entre os anos de 2016 e 2024, foram definidas dimensões para capturar privações-chave que refletissem padrões mínimos de bem-estar. São elas: educação, saúde, condições de habitação, vulnerabilidade e trabalho. Esse conjunto de dimensões foi desdobrado em 19 indicadores.
Os resultados mostraram avanços significativos no período. Houve uma redução de 14,2% na pobreza multidimensional, indicando melhora significativa para muitas famílias, e uma diminuição de 11% na intensidade da pobreza, mostrando que as privações enfrentadas por quem permanece pobre foram reduzidas. No entanto, foram identificadas disparidades regionais, com os estados das regiões Norte e Nordeste registrando os maiores índices de pobreza multidimensional.
Quanto aos gastos públicos, observou-se uma trajetória de crescimento e posterior estabilização, com exceção de 2021, ano em que os gastos foram influenciados pela recuperação após os impactos da pandemia de Covid-19. Foi constatada uma associação entre a eficiência técnica dos gastos nas Unidades da Federação (UFs) e o impacto sobre o índice, bem como entre o aumento do gasto e a redução da pobreza, especialmente nos gastos federais com proteção social e nos gastos locais com saúde.
O levantamento demonstrou que o IMP-A é uma ferramenta valiosa para auditorias, permitindo não apenas a mensuração da pobreza multidimensional, mas também a avaliação da eficácia e da eficiência das políticas públicas.
Os próximos passos incluem a consolidação, institucionalização e expansão da metodologia do IMP-A. Isso envolve aprimorar o índice com novas fontes de dados, estender a análise a outros recortes populacionais e geográficos, e disseminar a metodologia localmente para Tribunais de Contas Estaduais e Municipais.
Internacionalmente, o TCU se aliou a outras Instituições Superiores de Controle (ISCs) que têm experiência na utilização de IMPs nacionais em suas auditorias para que, em conjunto, possam elaborar um guia sobre auditorias em pobreza multidimensional.
Veja abaixo alguns dos resultados obtidos ao longo do levantamento. Processo do TCU: TC 016.821/2025.
